Não sei, por experiência própria, o que é viver com o salário mínimo nacional e sentir na pele o que é andar com o dinheiro tão contado que um simples café se torna um luxo. Mas sei que não é fácil, que obriga a uma ginástica orçamental de grandes dimensões e que é assunto que provoca insónias e stress e depressões. Viver com o ordenado mínimo é coisa para matar à nascença qualquer sonho que uma pessoa tenha, por vezes uma simples semana de férias.
Juro que admiro e valorizo muito quem consegue gerir um salário mínimo durante todo um mês, quem se priva de praticamente tudo o que não sejam bens essenciais, quem se proíbe de um miminho por mínimo que seja por não ser uma prioridade.
Juro que isto me deixa bastante angustiada.
Juro também que, apesar de pacífica e tolerante, hoje me indignei ao ouvir que Passos Coelho propôs uma redução do salário mínimo nacional. Nem falo no facto de esta ser uma medida totalmente oposta aquela(s) que o mesmo senhor disse que iria implementar. Indigno-me porque isto é mais que desrespeito pelos problemas dos outros. É exigir-lhes que desafiem as leis da Matemática e consigam viver com o pouco e escasso que lhes é permitido! E isso tira-me mesmo do sério!
Juro que isto me afectou ainda mais pelo facto de ontem termos recebido a visita de um amigo que vive em Londres há três anos e que mostrou, bem por dentro e ao pormenor, com funciona um país civilizado, humano e desenvolvido.
Juro que me tira do sério o facto de olharmos para alguns dos países africanos, asiáticos e ilhas espalhadas pelo Pacífico como subdesenvolvidos quando, na verdade, estamos ao nível deles. Sim, não há (tantas ou tão boas) escolas, o sistema de saúde é o que se sabe, os apoios não existem, a sociedade tem escória... mas o que dizer do nosso país? Vão-me dizer que connosco está tudo bem? Que damos e que recebemos de volta? Que sabemos que, quem de direito, nos vai apoiar quando precisarmos? E que não temos fome, miséria, pobreza extrema?
Percorremos o percurso inverso ao que deveríamos percorrer... e não acho que a culpa seja da crise...
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